30.7.10

Quem nunca ouviu falar de Oxford e sua universidade? Pois bem, visitando a cidade de Oxford, que fica a 45 minutos de trem de Londres) fiz uma das mais importantes descobertas e soube que cometia o mesmo erro de pensamento de 9 entre 10 turistas: não existe um campus da Universidade de Oxford, na verdade, a Universidade de Oxford é formada pelos 40 Colleges espalhados pela cidade. Portanto, se um dia alguém te disser que estou na Universidade de Oxford, pergunte em qual College, pra certificar que não está inventando. A Oxford University é a mais antiga universidade de língua inglesa e considerada uma das 10 melhores do mundo! (parece que o Mackenzie vem logo atrás...)
Bom, além desses 40 Colleges espalhados pela cidade de 150 mil habitantes, Oxford tem....hmmm...tem alguns prédios antigos bonitos e uma arquitetura medieval, como as outras cidades inglesas. Não quero ser injusta com Oxford. O dia que fui pra lá, estava bem cansada e foi um dos primeiros dias quentes do ano na Inglaterra, mas muitos já haviam alertado que Oxford era assim, basicamente uma cidade universitária (sendo Cambridge uma concorrente). Talvez se você esteja cursando universidade lá e tenha 20 anos seja uma cidade interessante de viver. Eu não tenho muita atração por cidade pequena, logo...
No centro da cidade, numa de suas principais ruas
Oxford também pode ser uma boa opção se você é muito fã de Harry Potter, já que muitas cenas do filme foram gravadas lá. Incluive há um tour só pelas locações do filme. Ou então se você é fã do livro Alice no País das Maravilhas, já que Oxford era a cidade de Lewis Carrol.

A Carfax Tower (foto abaixo) é considerada o centro da cidade. É o que restou de uma igreja do século XIII.



vista de uma das principais avenidas a partir do topo da torre


High Street

É possível visitar os Colleges de Oxford, mas nem todos, alguns são fechados ao público, outros, quando abertos, apenas a algumas áreas, geralmente pátios e jardins internos e todas elas cobram entrada. Eu fiz algumas fotos de alguns pátios internos, daquelas em que podia avistar pelo portão:






Como cidade universitária e plana e pequena, o resultado não poderia ser outro: muitas bicicletas




a arquitetura revela a antiguidade da cidade


Ao fundo está a Christi Church
Está Igreja foi um dos cenários de Harry Potter, nunca vi o filme, mas para os que viram, dizem que ali dentro foi gravada a cena do jantar (???).
Era nessa igreja também que trabalhava o pai de Alice Liddell, garota que inspirou Lewis Carroll a escrever Alice no País das Maravilhas. Na verdade ele se chamava Charles Lutwidge Dodson era professor de matemática. Diz a lenda que Charles começou a criar a história para entreter as as três filhas do então decano da Igreja de Cristo e vice-chanceler da Universidade de Oxford, Henry George Liddell, entre elas Alice, durante um passeio de barco pelo Tâmisa. Parece que muitos elementos da história foram inspirados em pessoas, situações e edifícios de Oxford.

me chamou a atenção o jardim com flores pretas


eu e minha companheira nesta viagem, Alejandra, no trem

29.7.10

Mais uma pausa pra viagem. Mais uma cidade. Mais um castelo. Mais história. A protagonista dessa vez é a cidade de Dover, localizada na ponta sudeste da ilha da Inglaterra, onde fica o porto de onde partem os ferrys boats e navios que cruzam o Canal da Mancha para chegarem no continente, em Calais, na França. Por ali também passa o Eurotunel e o trem da Eurostar - ambos atravessam o Canal da Mancha por baixo d´água, considerado um dos maiores feitos da engenharia. Já comentei sobre isso no meu post do fim do ano passado, quando passei por ali de ônibus, indo pra Bélgica. Porém era noite e estava nevando e não vi muita coisa. Dessa vez não estava só de passagem, e pude ir ao Castelo de Dover e nos famosos White Cliffs de Dover, que em português são nada mais que os 'penhascos brancos'.

Castelo de Dover visto de longe e de baixo


Vista, a partir do Castelo, de parte do Porto de Dover, Canal da Mancha e do White Cliff





entrada do Castelo



O Castelo de Dover começou a ser construído em 1160, no reinado de Henrique II (também não faço ideia quem seja) e desde sempre serviu como um castelo de defesa, já que estava na costa e, principalmente, de frente pra França, um dos maiores inimigos que a Inglaterra já teve. Por isso que ele foi construído no alto de um penhasco, onde se tem uma ampla visão do Canal da Mancha. Dizem que em dias claros é possível avistar ao longe a costa francesa. Andando pelo Castelo, percebe-se sua vocação militar, com muitos pontos de observação e canhões.


infiltrada




canhões responsáveis por abater aviões inimigos


Mas a vocação do Castelo de Dover para tarefas militares teve sua maior prova durante a Segunda Guerra Mundial. Embaixo das construções do Castelo, literalmente dentro do penhasco, existem túneis que serviram como um QG, onde os militares elaboravam estratégias, planos e vigiavam a fronteira, e claro, tudo isso dentro de um perfeito esconderijo, que abrigava dormitórios, banheiros, cozinha, hospital e central de comunicação. Bem coisa de filme mesmo.




uma placa mostra um plano geral de como os túneis estão desenhados abaixo do Castelo


central de comunicação

Esse QG subterrâneo teve papel fundamento na chamada Operação Dínamo, durante a batalha de Dunkirk (26 de maio a 4 de junho de 1940),quando tropas inimigas alemãs invandiram o norte da Bélgica e da França obrigando cerca de 340 mil soldados da Força Expedicionária Britânica (BEF, em inglês) a evacuar a região por meio do porto de Dunkirk, para serem então levados a esse QG no subterrâneo do Castelo de Dover, já em territôrio inglês. A operação de resgate das tropas é considerada um feito de sucesso, sendo chamada de 'o milagre de Dunkirk'. Muitos soldados lá chegaram quase sem vida e/ou gravemente feridos, e que foram tratados e curados no local. Tudo acompanhado de perto pelo então primeiro ministro britânico, Winston Churchill, que havia assumido há poucos dias o cargo.

Pra quem tiver interesse sobre o assunto, eu encontrei alguns documentários no YouTube, porém todos em inglês. Mesmo assim, pra quem não fala/entende, vale ver as imagens pra ter uma ideia da grandiosidade da operação. É só pesquisar por 'dunkirk' que vem bastante coisa. (desculpem, mas não estou conseguindo colocar os vídeos aqui). Pesquisei também por livros, no site das principais livrarias e os encontrados foram todos em inglês ou francês. =(


Depois da aulinha de história e da visita (que não pode ser fotografada) aos túneis, foi só continuar passeando, e andando muuuito!

não é a Daiane do Santos, sou eu relembrando os tempos de dançarina! hahaha


uma das vistas que o Castelo oferece. Essa da cidade de Dover


mais da cidadezinha


parte do Castelo com o Canal da Mancha ao fundo


muitos pulos até conseguir fazer a foto desse, na torre do Castelo



o que é ponto preto na porta do Castelo?


Esse é um dos mais antigos e melhor conservados faróis da Europa, herança deixada pelos romanos


mais um pedacinho do Castelo


vista do Porto de Dover


Após um caminhada de cerca de 30 minutos (mas que pareceu 3 horas) chegamos até os White Cliffs que fez a pernada valer a pena!
Essa cor branca do penhasco deve-se ao tipo de solo/rocha ali, que na verdade nada mais é que giz, desses de escrever em quadro negro.


eu e momento Titanic: I´m the king of the world!


eu e meu companheiro nesta viagem, Jorge:
cansaaaados!

Na volta, mais caminhada. Pedimos carona, mas não obtivemos êxito na operação


Castelo visto de longe, no caminho para os White Cliffs


27.7.10

Segundo o último censo (em 2008), 16% da população de 60 milhões de habitantes do Reino Unido tem mais de 65 anos e o número de pessoas com mais de 85 anos só vem aumentando. Nos últimos 25 anos (ou seja, uma geração), o número mais que dobrou e em 2008 contabilizou-se 1.3 milhões de pessoas nessa faixa etária ou mais. Por conta disso, a idade média do país passou de 35 anos em 1983 para 39 em 2008. Espera-se quem em 2033, 23% da população terá 65 anos ou mais, contra 18% com 16 anos e o grupo com 85 anos ou mais dobrará novamente, chegando a 3.2 milhões, ou seja, 5% da população total.
Um número considerável. Até mesmo porque fiz muitos eventos em que os idosos eram grande maioria. No começo, ficava assustada de ver o tanto que ele comiam e bebiam. Sem problemas em ingerir os três pratos dos jantares (entrada, prato principal e sobremesa), sendo muitas vezes carneiro e outras carnes pesadas o prato principal. Comiam devagarzinho, às vezes com dificuldades pra levar o garfo a boca, mas, como diz a frase: 'devagar e sempre'. Claro que um ou outro tinha algumas restrições, mas eram exceções, se pensarmos em um evento com idade média de 80 anos. E as bebidas idem. Eu ficava em dúvida se oferecia mais vinho ou não. Mas eles me estediam as taças com as mãos tremendo (por conta dos efeitos da idade, não do álcóol), e dificilmente recusavam o reabastecimento. E outra coisa que reparei, muitos idosos altos! Não via isso no Brasil.
tirei essa foto num lindo dia de sol, ás margens do Tâmisa, numa área chamada Southbank
Andando pelas ruas, os índices das pesquisas passam a ser bem concreto também. Não sei se é genética ou um maior zelo do governo com as pessoas, mas realmente existem muitos idosos.
Apesar das limitações físicas que os anos trazem, eles são bem ativos, as senhorinhas, por exemplo, andam pra lá e pra cá com esse carrinho da foto abaixo, que usam pra carregar suas compras. Parece até item obrigatório, acho que cada pessoa em Londres, quando completa 60 anos, recebe um desses de presente, porque todos elas têm!


Gosto também que elas não se limitam ao xale de vovozinha, pelo contrário, estão sempre em sintonia com a moda, e se produzem toda nos eventos, vestidos, chapéus, bolsas e até salto alto! São todos muito fofos e muito educados. Os senhores também ousavam nas gravatas, com estampas irreverentes. Cheguei a ver até gravata borboleta rosa!
Eu sempre gostei muito de crianças, mas morando na Inglaterra acabei criando um carinho especial pelos que eu chamava de 'os meus velhinhos', que eu fazia questão de bem servir, até porque eu adorava quando eles me chamavam de 'young lady'!

26.7.10

Se um sorriso com dentes bonitos é o cartão de visitas pessoal de cada um, então os ingleses não possuem uma boa apresentação. Uma das coisas que mais chama atenção na Inglaterra (e acho que no Reino Unido em geral) é que muitas pessoas, inclusive de classe média ou média-alta, não têm dentes bonitos. Não digo sorriso de pérolas, mas é comum ver gente com os dentes muito tortos, amarelos e até mesmo faltando algum na fileira, aquela janela, por ali, que parece não incomodar muito.


Tevez é um símbolo de pessoa que não se importa com dentição, pois pra ele com certeza o problema não é dinheiro

Nota-se isso principalmente nas pessoas mais velhas, o que comprova os dizeres de que a preocupação com os dentes é uma cultura relativamente recente, se pensarmos na antiguidade do país, fala-se que o hábito de higienização dentária começou a ser mais comum nos últimos 30 anos...
Muitos ingleses inclusivem fazem comentários sobre nossos dentes. Não foi raro ouvir que os sul-americanos têm dentes bonitos, o que chama a atenção deles (mesmo quando não temos o que no nosso padrão seria bonito).
Realmente ir ao dentista na Inglaterra é algo caro, bem caro. Uma simples limpeza custa o equivalente a uns R$ 300, pelo menos. No Brasil, onde dentista também é considerado algo custoso, acredito que uma limpeza esteja na faixa de uns R$ 150, não mais que isso. Uma obturação também não é nada barato. Então suponho que a junção do cultural com o financeiro resultou nesses sorrisos falhos, amarelados e sujos que facilmente encontramos pelas ruas. Eles até escovam os dentes, pelo menos meus flatmates faziam isso, mas sabemos que só escovação, ao longo dos anos, não é o sufiente para ter dentes como da foto abaixo.


25.7.10

Eu gosto muito da letra do Hino Nacional Brasileiro, mas tenho que discordar um pouco quando ele diz que 'nossas flores têm mais vida', pois ao começar a primavera - e depois o verão - no Hemisfério Norte deu pra ver como as flores na Inglaterra são lindas. Há flores em todos os lugares, nos muros das casas, nas ruas, canteiros, jardins, parques, parece até mato. E elas são tão bonitas, grandes e com cores bem fortes e vivas que parecem até de mentira. Claro que temos flores lindas no Brasil também, mas é que aqui parecem que elas são assim mais naturalmente, sem precisarem de maiores cuidados, plantou e nasceu desse jeito! É muito bacana transitar pela cidade enfeitada naturalmente assim.
Talvez seja consequência do clima, não tão quente, ou da terra, ou dos ventos aqui em cima. Seja o que for, a natureza aqui tá de parabéns. Aqui vai uma pequena mostra.


Inverness -Escócia


Edimburgo- Escócia

Londres





Cardiff - País de Gales







as tulipas logo no comecinho da primavera

essa é de cabeça pra baixo!
Esse post é dedicado a minha prima Maria do Carmo, que sei que adora flores e que eu esqueci do aniversário esses dias =(...não é que esqueci, mas é que aqui estou meio por fora dos dias no calendário! Mesmo assim, nunca é tade pra desejar felicidades! Parabéns Du! Beijos!